Rotina: estabilidade ou tédio?

Segundo o dicionário Aurélio, “rotina é um caminho já trilhado ou sabido; uma prática constante; o hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo”. Se pararmos para pensar sobre a rotina, veremos que ela está sempre presente em nossa vida, dentro ou fora de um relacionamento afetivo.

A pesquisa do Instituto do Casal sobre satisfação conjugal, realizada em outubro deste ano, com 510 participantes, confirmou que a rotina ainda é temida por muitos, que a veem como uma das vilãs nos relacionamentos conjugais.

Segundo Denise Miranda de Figueiredo, psicóloga e especialista em terapia de casais,  todas as pessoas precisam de uma rotina. “Trata-se de um padrão estruturado que nos permite realizar nossas atividades diárias. A rotina por si só não é ruim. Mas, geralmente ela nos coloca num modo de funcionamento automático podendo paradoxalmente gerar conforto e tédio em nossos relacionamentos afetivos”, explica Denise.

Mas, por que a rotina é apontada como uma das vilãs da insatisfação na vida amorosa pós-casamento? Para Marina Simas, a rotina gera conforto e estabilidade, mas conflita com a ideia do desafio, da conquista. “Na época do namoro, os programas geralmente são mais diversificados, não há responsabilidades para serem compartilhadas e há o desafio da conquista e da sedução, ou seja, ambos se esforçam bastante para fazer o outro feliz e para demonstrar carinho e amor de forma frequente, com o objetivo final de ter o outro”, explica Marina.

Porém, a partir do momento que esse casal passa a morar junto, inicia-se uma nova fase, que naturalmente gera uma rotina compartilhada.  “Quando o objeto do desejo está totalmente conquistado podemos ter a sensação de tédio que impacta na relação conjugal se não for explicitada e administrada de forma adequada”, explica Marina.

Ciclo vital da família

Para as especialistas, a maioria dos casais apresenta certa dificuldade em lidar com as diferentes fases que compõem o casamento e o qual chamamos: ciclo vital da família. A rotina faz parte da vida e de cada uma destas diferentes fases que esse casal passará como, por exemplo, a chegada dos filhos, envelhecimento, saída dos filhos de casa, etc. E respeitando essas diferentes fases e a maneira de funcionar de cada casal, é possível sim encontrar estratégias para melhorar o relacionamento a dois, incluindo nela momentos prazerosos e divertidos, comentam as psicólogas.

“Os casais precisam usar a criatividade na vida a dois. É importante variar os programas, experimentar coisas novas, visitar lugares novos. Conversar muito, se divertir juntos, reservar um tempo a sós, principalmente quando se tem filhos.

Uma dica de ouro das especialistas é lembrar-se daquilo que fez com que você escolhesse essa pessoa para compartilhar a vida a dois, o que gostou nela, o que mais te chamou atenção. Reflita sobre isso e mãos à obra.

Portanto, lembre-se: Sair da zona de conforto pode ser difícil, mas é essencial para melhorar a qualidade do relacionamento afetivo. Precisamos lembrar que pequenas ações podem gerar mudanças muito positivas.

 

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Tem dúvidas de como lidar com esse processo? Nós, Denise Figueiredo e Marina Simas, sócias-diretoras do Instituto do Casal, podemos te ajudar!
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