Como manter a paixão viva em um relacionamento de longo prazo

É possível sentir-se loucamente apaixonado(a) por alguém depois de cinco, dez, vinte anos juntos? Saiba como manter a paixão viva em um relacionamento de longo prazo

Em suma, sabemos que o amor se transforma com o tempo e muitas pessoas tem medo de que suas “relações esfriem” e nunca voltem a experimentar as emoções do início.

A ciência tem nos mostrado que o amor, do ponto de vista biológico, tem três estágios independentes:

  • O primeiro é estágio da química, da paixão, comandada por hormônios sexuais, principalmente a testosterona, sem uma elaboração emocional maior.
  • O segundo estágio é o do amor romântico. Esta fase é marcada por uma cascata de substâncias, como noradrenalina, endorfina, serotonina, e também testosterona, estrógeno e progesterona.
  • O terceiro estágio é o da construção e do vínculo duradouro, o amor propriamente dito. Nesta fase há a ação do hormônio oxitocina na mulher e vasopressina no homem, os hormônios do vínculo.

O amor é mantido pelo vínculo, permanência e contato. “Investir na conjugalidade, no diálogo, atividades em conjunto e projetos para o futuro podem ser fatores essenciais para uma relação de longo prazo. Além disso, é importante que o casal tenha interesses e valores semelhantes pois tudo o que se apresenta como “oposto” no início do relacionamento pode ser interessante e atrativo, mas no dia a dia e a longo prazo pode ser mais difícil de lidar”, explicam.

A pesquisa

Com a finalidade de investigar quais regiões do cérebro estão associadas ao amor romântico de longo prazo, um estudo recente foi publicado na revista Social Cognitive and Affective Neuroscience.

Assim, o grupo de pesquisadores, do Departamento de Psicologia da Universidade de Stony Brook, usou imagens de ressonância magnética para mapear o cérebro de pessoas felizes no casamento que relataram um amor romântico intenso pelo o seu parceiro depois uma média de 21 anos de casamento e chegaram em 5 características em comum:

  1.  Desejo de união
  2.  Atenção focada
  3.  Nível de energia elevado quando o casal está junto
  4.  Motivação para fazer coisas que deixam o(a) parceiro(a) feliz
  5.  Atração sexual e pensar no outro quando estão separados

Marina Simas de Lima e Denise Miranda de Figueiredo pontuam que além das questões química e comportamental ainda há a questão de construção da relação entre o casal que será abordada ao longo da matéria.

Ser loucamente apaixonado(a) pode durar!

Os resultados do estudo indicam que o sentimento de paixão intensa pode durar em relacionamentos de longo prazo. “Encontramos muitas semelhanças entre os que estavam apaixonados a longo prazo e aqueles que acabaram de se apaixonar loucamente”, revelou um dos doutores responsável pela pesquisa.

Assim sendo, a pesquisa sugere que uma das áreas mais centrais do cérebro, a ATV (área tegmental ventral), que é o local onde acontece o circuito de recompensa, rico em dopamina, também relatado em muitos estudos de amor romântico em estágio inicial, tem a mesma importância quando se fala na manutenção de relacionamentos de longo prazo.

Segundo a pesquisa, essa área do cérebro e a combinação da dopamina como neurotransmissor principal, é fundamental para manter relacionamentos de longo prazo. Portanto, o amor romântico comumente encontrado no amor em estágio inicial, a paixão pode perdurar em relacionamentos de longo prazo tendo em vista que envolve os mesmos sistemas de recompensas e motivação do cérebro.

Alguns pontos importantes para manter o amor vivo

Frequência sexual

Os casais com relacionamento de longo prazo participantes da pesquisa relataram alta frequência sexual e esse fator pode estar relacionado a ativação do hipocampo posterior do cérebro, região responsável por lembrar estímulos associados a certas recompensas. Assim, como o hipocampo posterior está relacionado a sentimentos de desejo e desejos de saciedade, essa região cerebral pode ser a chave para entender como alguns casais ficam sexualmente interessados ​​e apaixonados em relacionamentos de longo prazo.

Além da frequência, também é importante ressaltar o interesse sexual dos parceiros. Para Marina, o interesse pode ser mantido desde que sempre haja uma parte do outro a ser conquistada. Portanto, “Se houver uma entrega e domínio do(a) parceiro(a) 100% do tempo, é possível que o apetite sexual seja diminuído. A admiração e química também são fatores importantes para manter uma relação sexual ativa a longo prazo”.

Proximidade e união

O amor romântico a longo prazo ativa regiões cerebrais ricas em dopamina. Assim, o recrutamento desse sistema de dopamina, que controla a recompensa e a motivação, sugere que o amor romântico é um desejo e uma motivação para estar junto ao outro.

Denise comenta que é comum as pessoas iniciarem um casamento com certas expectativas que podem não ser correspondidas. “Os parceiros tendem a idealizar o amor em algum aspecto e isso pode dificultar as diferentes possibilidades para viver uma relação”.

Sensação de segurança e proteção

As pesquisas indicaram que a associação com uma figura de apego reduz a dor e o estresse. Dessa forma, se sentir seguro(a) e protegido(a) é um critério importante no amor romântico intenso e duradouro. É importante ressaltar que nossos cérebros veem o amor passional duradouro como um comportamento dirigido por metas e ao alcance de “recompensas”.

Assim, as recompensas podem incluir a redução da ansiedade e do estresse, sentimentos de segurança, um estado de calma e uma união com o outro. Por isso, é comum incorporarmos nosso(a) parceiro(a) à nossa noção de nós mesmos, em relacionamentos de longo prazo.

 

Portanto, à medida que movemos do amor no estágio inicial para o amor em longo prazo, nosso vínculo de união cresce. Quando realizamos ações que deixam nosso parceiro feliz, melhoramos e mantemos o relacionamento à medida que trabalhamos para atingir nosso objetivo de manter essas “recompensas”.

Tem dúvidas de como lidar com reascender a paixão? Nós, Denise Figueiredo e Marina Simas, sócias-diretoras do Instituto do Casal, podemos te ajudar!
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