Como lidar com ataques de raiva do (da) parceiro (a)?

Quem é casado ou vive um relacionamento estável, provavelmente, já presenciou, em algum momento, um ataque de raiva do (a) parceiro (a). Pois saiba que sentir raiva é normal, já que essa é uma das seis emoções básicas de qualquer ser humano.
Portanto, todos estamos sujeitos a sentir raiva, de vez em quando. A raiva pode surgir em situações cotidianas, como um dia estressante no trabalho, contas para pagar e filhos dando problemas na escola. Enfim, há várias situações rotineiras que podem levar a esse sentimento.

A raiva

Mas, cada pessoa lida com a raiva de uma maneira. Há aquelas que desenvolvem uma capacidade maior de autocontrole e gerenciam melhor as emoções. Por outro lado, há outras que acabam ‘descontando’ a raiva nas pessoas mais próximas e são menos controladas, apresentando uma irritabilidade contínua. Em um casamento, a pessoa mais íntima e próxima costuma ser o (a) parceiro (a), que pode não saber como lidar com a raiva do outro.

Segundo a psicóloga Marina Simas de Lima, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal, a raiva é uma emoção básica, portanto, em uma perspectiva inicial não deve ser encarada como negativa. “A raiva pode surgir em circunstâncias ameaçadoras ou frustrantes em que precisamos reagir de alguma maneira, é um sistema de defesa. Entretanto, isso não significa usar a agressividade para resolver essa ameaça. A raiva é um sentimento, a agressão é um comportamento”.

“Outro ponto é entender se a reação foi proporcional ao estímulo. Por exemplo, o parceiro chegou mais tarde do trabalho e a parceira explode e começa uma discussão. Ela tem todo o direito de se sentir frustrada ou até com raiva. Entretanto, uma explosão de raiva mediante essa situação é um tanto desproporcional ao fato”, comenta Marina.

Raiva acumulada

Para a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal, a raiva sentida de forma muito constante pode indicar dificuldade de expressar sentimentos, de compreender o outro e de não tolerar frustrações. Partir para um conflito, em muitos casos, pode ser a única maneira dessa pessoa conseguir dizer o que está guardado.

“Mas, infelizmente, quando a pessoa está tomada pela raiva, pode ficar mais agressiva, física ou verbalmente. Com isso, em vez de resolver o conflito, irá aumentá-lo ou ainda criar outros. Dentro de um relacionamento afetivo, a raiva mal gerenciada pode desencadear vários problemas e afetar a satisfação conjugal. Será uma relação permeada pela tensão e por conflitos constantes”, reflete Denise.

A raiva pode ser patológica?

De acordo com Marina e Denise, a raiva pode ser patológica. “A irritação constante pode ser um indício de algum outro problema, como a depressão e ansiedade, por exemplo. Além disso, há o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), um tipo de Transtorno de Controle de Impulsos”.

O TEI é caracterizado por episódios graves e isolados de agressividade desproporcionais às situações desencadeantes. Normalmente, são precedidos de um fator estressante e seguidos de culpa e arrependimento. Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), mostrou que no Brasil 3 em cada 10 brasileiros têm diagnóstico de TEI.

Segundo as evidências científicas, há fatores biológicos e emocionais envolvidos no TEI, como histórico familiar de uso de drogas e de transtornos do humor, como depressão e ansiedade.

Um estudo publicado no JAMA Psychiatry, apontou uma ligação entre dois marcadores de inflamação – a proteína C reativa e a interleucina 6 – com os impulsos agressivos. Outras hipóteses relacionam o TEI com alterações em neurotransmissores, como a serotonina.

Culpa e ressaca moral

“Os prejuízos de ataques de raiva desproporcionais podem ser avassaladores e afetar negativamente a vida a dois, assim como a relação com os filhos, familiares, amigos e colegas de trabalho. Para quem convive com um (uma) parceiro (a) que apresenta a raiva de forma constante, é importante entender a origem dessa irritabilidade para poder ajudar”, comentam as psicólogas.

Veja algumas dicas do Instituto do Casal para lidar com a raiva dentro do casamento:

  • Empatia

    Você é a pessoa mais próxima do seu (sua) parceiro (a). No momento do ataque, procure evitar o confronto. Ouça mais e fale menos. Sugira que a pessoa se acalme para depois retomar a conversa. Procure perceber o que o outro está dizendo e como ele/ela está se sentindo. Foque em permitir a expressão dos sentimentos.

  • Preserve-se

    Ao perceber que o (a) parceiro (a) não quer se acalmar ou não consegue, saia de cena. Mas, sinalize que você vai sair até que ele/ela se acalme para vocês poderem conversar depois. Apenas tome cuidado para que o outro não se sinta desvalorizado, expresse que você irá retornar.

  • Ofereça ajuda profissional

    A depressão e ansiedade são transtornos do humor com alta prevalência atualmente. E podem aumentar as explosões de raiva. Perceba se seu (sua) parceiro (a) está apresentando outros comportamentos, além dos ataques de raiva, que podem sugerir um quadro depressivo ou ansioso. Se for o caso, converse sobre a possibilidade de procurar ajuda profissional.

  • Não aceite agressões

    Físicas ou verbais, é importante que você se posicione sobre o que é aceitável ou não. A agressão nunca é algo que você deve aceitar, principalmente vindo do cônjuge. A relação afetiva deve ser permeada pelo respeito. Expresse para o (a) parceiro (a) que você não tolera este tipo de atitude. E que se há algum problema emocional, é preciso buscar recursos para resolvê-lo. Disponha-se a ajudar, mas deixe claro os limites e a necessidade de respeito na relação.

Confira em nosso blog outros assuntos que podem te ajudar!
Tem dúvidas de como lidar com esse processo? Nós, Denise Figueiredo e Marina Simas, sócias-diretoras do Instituto do Casal, podemos te ajudar!
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5 respostas

  1. Oi boa tarde! Eu não sinto mas nada pelo meu conges, e não quero que mim toque, tenho pena dele e medo de deixar ele pois é muito apegado a minha pessoa, e agora?;mim encontro sem saída 😝😝😝😝.

  2. Boa tarde minha relação e o tempo todo de agressões cabal tanto as parte dele como da minha só que eu acho as agressões dele mais pesada porque as vezes eu ainda me calo pra não agravar mais o fato mais eu não tô sabendo lidar com essa situação ,já tô pra desistir

  3. Aprender a lidar com a raiva é super importante para nossa vida e o dia a dia da nossa parte individual e com certeza isso se reflete na vida a dois, melhorando assim a vida do casal. Gostei bastante do artigo! Parabéns!

  4. Aprender a canalizar a raiva de maneira construtiva nas relações amorosas é de grande valor para o crescimento emocional. Ao compreender e expressar a raiva de forma saudável, é possível resolver conflitos, estabelecer limites e fortalecer a comunicação, contribuindo para relacionamentos mais resilientes e satisfatórios. No entanto, é fundamental equilibrar essa habilidade com empatia e compreensão para evitar danos desnecessários.

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