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Como a Comunicação Não Violenta pode ajudar o seu relacionamento amoroso

Pesquisa desenvolvida pelo norte-americano Marshall Rosenberg pode ajudar a resolver maus entendidos e brigas conjugais

Desde muito cedo aprendemos que conflitos são ruins e devem ser evitados. Por isso, crescemos com pouca ou nenhuma habilidade para lidar com conversas difíceis. Comumente assumimos uma postura defensiva que dificulta a compreensão ou despertamos essa defesa no outro. A Comunicação Não Violenta assume que todos nós compartilhamos as mesmas necessidades humanas básicas e que todas as nossas ações são uma estratégia para atender a uma ou mais dessas necessidades.

Separar os fatos da nossa interpretação, ter empatia com o outro e sair desses conflitos com um relacionamento mais forte e amoroso são alguns objetivos da CNV. “Toda crítica, julgamento, diagnóstico e expressão de raiva é o reflexo trágico de uma necessidade não atendida”, é o que acredita Marshall Rosenberg, desenvolvedor da Comunicação Não Violenta.

Aplicada há mais de 4 décadas por uma rede mundial de facilitadores, a Comunicação Não Violenta conta com 4 pilares-chave para o desenvolvimento de relações de parceria e cooperação. Observação, sentimento, necessidade e pedido. Esses passos visam diminuir a resistência de quem está do outro lado com o objetivo de aumentar a chance de conexão e melhorar a comunicação. Também conhecida como Comunicação Empática, a CNV incentiva o abandono da noção de “bom ou mau”, “culpado ou inocente”. A conversa com o parceiro ou parceira passa a ter o objetivo de compreender quais necessidades humanas podem ser atendidas da melhor forma dentro daquela relação. Rosenberg prioriza esclarecer o que está sendo observado, sentido e pedido, ao invés de diagnosticar e julgar.

Os 4 passos da Comunicação Não Violenta que podem melhorar o seu relacionamento

Observação

A missão aqui é observar sem julgar ou interpretar, colher os fatos em relação ao que aconteceu com o nosso parceiro ou parceira, como em uma investigação. Quando dizemos “minha namorada me ignora”, isso é uma interpretação. A observação do fato, nesse caso, seria “minha namorada olhou para o celular quando eu fiz uma pergunta”. Usando a observação, começaremos o diálogo sem acusações ou interpretações, teremos, então, menos resistência na outra pessoa, que não começará a conversa na defensiva.

Uma dica: evite palavras generalistas como “sempre” ou “nunca” e substitua por fatos “durante o jantar de sexta-feira”, por exemplo.

Sentimento

O segundo passo, após identificados os fatos, é compreender os nossos sentimentos e também os sentimentos dos nossos parceiros. Nomear o que sentimos da maneira mais precisa possível facilita a compreensão do outro. É importante exercitarmos a nossa auto-avaliação sempre que possível. Por exemplo, dizer: “me senti inseguro quando você não respondeu a minha pergunta no jantar de sexta”. Durante uma conversa nós podemos nos sentir de diversas maneiras, tristes, frustrados, inseguros, com medo, assustados, confiantes ou alegres. Nomear o que sentimos ajuda as pessoas a compreenderem o que se passa dentro de nós, uma vez que sentimos e vemos o mundo de maneiras diferentes.

Uma dica: É importante tomar cuidado para não apontar dedos e culpar o outro pela maneira como nos sentimos: nossos sentimentos são nossa responsabilidade. Por exemplo utilizar “eu estou/eu sinto” ao invés de: “você me ignora”, “você faz com que eu me sinta só”.

Necessidade

O terceiro passo é identificar quais necessidades estão ligadas aos nossos sentimentos. Segundo Marshall Rosenberg, as necessidades humanas nos guiam por tudo que sentimos, seja alegria e satisfação ou frustração e raiva. “Com cada escolha que você faz, esteja ciente a que necessidade ela serve”. No cenário que estamos observando, por exemplo, o namorado se sentiu inseguro e então pode identificar sua necessidade como “necessito me sentir seguro de que você realmente quer estar presente durante o nosso jantar”.

Uma dica: a nossa necessidade pode ser física e prática “preciso que meu marido seja pontual para que não peguemos trânsito” ou mais sutil “preciso que minha namorada olhe nos meus olhos quando falamos sobre um assunto sério”. É importante lembrar que os nossos parceiros e parceiras também tem necessidades a serem consideradas.

Pedido

Fazer pedidos claros do que você precisa para atender suas necessidades pode ser a chave para um relacionamento saudável. Por mais que os nossos parceiros possam nos amar muito e ter boas intenções, eles não sabem como especificamente as nossas necessidades podem ser atendidas na prática da relação. Até porque somos pessoas diferentes, com histórias e visões de mundo únicas e particulares. Querer mais atenção ou precisar ser ouvido pode ser colocado em prática de diversas maneiras. Por isso o nosso companheiro ou companheira precisa entender exatamente o que deve fazer para atender nossa necessidade. No caso que estamos avaliando, por exemplo, o pedido pode ser “eu preciso que você mantenha o celular fora do alcance quando estivermos jantando”.

Dica: é importante se certificar que as duas partes tenham a mesma compreensão do que foi dito e pedido. Pensando nisso, podemos solicitar para que o nosso parceiro ou parceira nos diga o que entendeu da conversa, assim temos a oportunidade de ajustar mal entendidos caso eles existam.

  • Diálogo, Relacionamentos, Vida a dois
  • conflitos conjugais, discutir o relacionamento, vida a dois

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