Atenção casais: não tratem seus parceiros como filhos!

Atenção casais: não tratem seus parceiros como filhos!

Muitos casais adquirem, ao longo do tempo, uma série de dinâmicas que podem prejudicar o relacionamento conjugal. Há, por exemplo, os competidores, aqueles que disputam entre si algum tipo de superioridade, os melhores amigos, que transformam a relação num sistema exclusivo de amizade, os dependentes emocionais, que transferem a felicidade e a autorrealização ao outro, e os possessivos que acreditam ser donos do(a) parceiro(a).

Entre as diversas dinâmicas não saudáveis desenvolvidas pelos casais, há uma em particular bastante recorrente e altamente danosa para a vida a dois: estabelecer uma relação em que o papel de pai ou de mãe tenha um espaço maior na relação a dois do que o de marido ou esposa.

Quem nunca ouviu as seguintes frases: “não seja mãe do seu marido” ou “não trate sua esposa como filha”. Embora muitos deem esses conselhos, uma situação como esta é bem mais complexa do que se imagina.

“Não se trata de uma regra, mas é comum ver alguns homens tratarem a parceira como se fosse a própria mãe, alimentando expectativas pautadas em uma relação maternal e não conjugal. Quando isso acontece, a relação adquire uma dinâmica diferente em que o papel de esposa ou de marido cede lugar ao de mãe e filho a ou ainda de pai e filha, comenta a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo, cofundadora do Instituto do Casal.

Existem também situações em que a própria mulher estabelece uma relação de mãe com o parceiro. “Sabe-se, por exemplo, que muitas mulheres foram – e ainda são – criadas para servirem, para serem mães e donas de casa, e esse comportamento, em vez de aproximar os parceiros na relação amorosa, pode afastá-los do papel de marido e mulher”, diz Denise.

A perda do erotismo no casamento
Embora existam aqueles que gostem e até achem afetuoso chamar o parceiro de ‘pai’ e a parceira de ‘mãe’, este comportamento pode prejudicar a relação. E se o casal tem filhos, isso pode ser ainda mais comum. “Quando os filhos nascem, marido e mulher começam a tratar-se pelo papel que mais associam um ao outro, o de pais. E este tratamento pode ter uma influência negativa na vida conjugal e sexual do casal. Afinal, ninguém quer fazer amor com o próprio pai ou com a própria mãe”, comenta a psicóloga Marina Simas de Lima, cofundadora do Instituto do Casal.

“Entre pais e filhos, é normal que se utilizem frases como “pede ao pai” ou “pergunta à mãe”. Entretanto, quando o casal se trata, entre si, por pai e mãe, a situação, além de reveladora, pode tornar-se problemática. Este tipo de relação conduz o casal a um processo de deserotização entre marido e mulher, o que pode levar a um afastamento entre ambos e afetar o desejo, o erotismo e a sexualidade na vida a dois”, reflete Marina.

As especialistas comentam que servir o outro não faz mal nenhum, a partir do momento em que a relação está bem estabelecida e com papéis bem definidos, fortalecendo a conjugalidade. Porém, é preciso ter bem claro que a relação maternal e paternal não cabe no casamento. “Há muitos outros apelidos carinhosos que os casais podem escolher, então a dica é optar por qualquer outro e evitar os apelidos de ‘pai’ ou ‘mãe’, pois isso pode implicar na perda do espaço erótico dentro do casamento”.

Por último, se a relação está baseada nesse cuidado paternal ou fraternal, é preciso investigar o que há por trás disso e a terapia de casal pode ser uma excelente maneira de resolver esse problema para estabelecer e ajudar o casal a definir seus papéis no casamento.

 

 

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Responsável Técnico: Marina Simas de Lima – CRP 0644524-5

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